quinta-feira, 30 de abril de 2009

Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
INTRODUÇÃO

No livro abordado o Autor resgata de forma atualizada, leve, criativa, provocativa, corajosa e esperançosa, questões que no dia a dia do professor continuam a estimular o conflito e o debate entre os educadores e educadoras.

Uma pedagogia fundada na ética, no respeito à dignidade e à própria autonomia do educando, e que nos mostra também, que a competência técnico científica e o rigor de que o professor não deve abrir mão no desenvolvimento do seu trabalho, não são incompatíveis com a amorosidade necessária às relações educativas. Postura essa que ajuda a construir o ambiente favorável à produção do conhecimento onde o medo do professor e o mito que se cria em torno dele vão sendo desvelados.

Paulo Freire também adverte-nos para a necessidade de assumirmos uma postura vigilante contra todas as práticas de desumanização. Para tal o saber-fazer da auto reflexão crítica e o saber-ser da sabedoria exercitados, permanentemente , podem nos ajudar a fazer a necessária leitura crítica das verdadeiras causas da degradação humana e da razão de ser do discurso fatalista da globalização.

Por fim, impossível não ressaltar a beleza produzida e traduzida em “Pedagogia da Autonomia”. A sensibilidade com que o Autor problematiza e toca o educador aponta para a dimensão estética de sua prática que, por isso mesmo pode ser movida pelo desejo e vivida com alegria, sem abrir mão do sonho, do rigor, seriedade e da simplicidade inerente ao saber-da-competência.

RESUMO
No livro de Paulo Freire PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
Saberes necessários à prática educativa, o autor nos fala que não há docência sem discência, pois o ensinar inexiste sem o aprender e vice-versa.

Ensinar exige rigorosidade metódica no sentido de ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo, fazendo com que o aprender criticamente seja possível.

Ensinar exige pesquisa porque não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa.

Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos, indagando-se por exemplo sobre seus problemas sociais e discutindo-os, e não dizendo que a escola não tem nada com isso, que ela não é partido político.

Ensinar exige criticidade. Por isso o educador na escola progressista deve despertar a curiosidade crítica, insatisfeita, indócil, para que haja criatividade, porque não haveria criatividade se não houvesse curiosidade.

Ensinar exige estética e ética. O ensino dos conteúdos não se pode dar alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar.

Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo. As palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou nada valem.

Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação, faz parte do pensar certo, do ético.

Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática, assim havendo formação permanente do educador.

Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural, porque na compreensão dos sentimentos, das emoções, do desejo, da insegurança, do medo, um simples gesto do professor pode significar muito na vida e formação de um aluno.

Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.

Ensinar exige consciência do inacabamento porque onde há vida, há inacabamento e nunca temos o total conhecimento das coisas, mas sim, estamos sempre aprendendo.

Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado “programados, mas, para aprender”, exercitaremos tanto mais e melhor a nossa capacidade de

aprender e de ensinar, mas, conscientes do inacabamento, saberemos que podemos ir mais alem dele.

Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando porque o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Qualquer discriminação é imoral e lutar contra ela é um dever, por mais que se reconheça a força dos condicionamentos a enfrentar.

Ensinar exige bom senso. A vigilância do bom senso tem uma importância enorme na avaliação que, a todo instante, o professor faz em sua prática.

Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores. Deve-se recusar tornar a atividade docente em puro “bico” e priorizar o empenho de formação permanente dos quadros do magistério como tarefa puramente política e repensar a eficácia da greve.

Ensinar exige apreensão da realidade, porque o professor precisa se mover com clareza na sua prática.

Ensinar exige alegria e esperança. Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. Deve-se resistir aos obstáculos à nossa alegria e a esperança é uma espécie de ímpeto natural possível e necessário.

Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível e é preciso mudar. Preservar situações concretas de miséria é uma imoralidade.

Ensinar exige curiosidade. O fundamental é que o professor e alunos saibam que a postura deles, do professor e dos alunos, é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou enquanto ouve.

Ensinar é uma especificidade humana. Exige segurança, competência profissional e generosidade. A segurança que a autoridade docente se move implica uma outra, a que se funda na sua competência profissional. A generosidade também é indispensável nas relações com as liberdades. Não há nada que mais inferiorize a tarefa formadora da autoridade do que a mesquinhez com que se comporte.

Ensinar exige comprometimento. O professor deve procurar a aproximação cada vez maior entre o que diz e o que faz, entre o que ele parece ser e o que realmente está sendo. Deve revelar aos alunos sua capacidade de analisar, de comparar, de avaliar, de decidir, de optar, de romper. A capacidade de fazer justiça e não falhar a verdade. Ser Ético.

Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo, que além do conhecimento dos conteúdos bem ou mal ensinados e/ou aprendidos implica tanto o esforço de “reprodução” da ideologia dominante quanto o seu “desmascaramento”. Dialética e contraditória, não poderia ser a educação só uma ou só a outra dessas coisas.

Ensinar exige liberdade e autoridade. Mas liberdade sem limite é tão prejudicial quanto a liberdade asfixiada ou castrada. A posição mais difícil, indiscutivelmente correta, é a do democrata, coerente com seu sonho solidário e igualitário, para quem não é possível autoridade sem liberdade e esta sem aquela.

Ensinar exige tomada consciente de decisões. Inacabado e consciente do seu inacabamento, histórico, necessariamente o ser humano se faz um ser ético, um ser de opção, de decisão. Também o educador deve Ter consciência de que não deve ser neutro porque a neutralidade nada mais é do que a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder a opção ou o medo de acusar a injustiça.

Ensinar exige saber escutar. O desrespeito à leitura de mundo do educando revela o gosto elitista, portanto antidemocrático, do educador que, desta forma, não escutando o educando com ele não fala. Nele deposita seus comunicados.

Ensinar exige reconhecer que a educação é ideologia. No fundo, a ideologia tem um poder de persuasão indiscutível, mas não podemos deixar de reagir de forma crítica aos discursos ideológicos que nos ameaçam “anestesiar” a mente, que confundem nossa curiosidade, distorcem a percepção dos fatos, das coisas, dos acontecimentos.

Ensinar exige disponibilidade para o diálogo. É na disponibilidade à realidade que o professor constrói a sua segurança, indispensável à própria disponibilidade. É impossível viver a disponibilidade à realidade sem segurança mas é impossível também criar a segurança fora do “risco da disponibilidade”.

Ensinar exige querer bem aos educandos. A abertura ao querer bem, significa a disponibilidade à alegria de viver. É essa força misteriosa, às vezes chamada vocação, que explica a quase devoção com que a grande maioria do magistério nele permanece, apesar da imoralidade dos salários. Não apenas permanece, mas cumpre, como pode, seu dever. Amorosamente.

E finalmente, é a percepção do homem e da mulher como seres “programados, mas para aprender” e, portanto, para ensinar, para conhecer, para intervir, que faz o autor entender a prática educativa como um exercício constante em favor da produção e do desenvolvimento da autonomia de educadores e educandos
.

OPINIÃO CRÍTICA DA OBRA

Nos questionamentos relatados nesta obra que trata da prática docente, é notável a experiência do autor. Possui uma linguagem clara e objetiva sobre a necessária pedagogia da autonomia.

Podemos observar que na processo de ensino não é só o educando quem aprende, mas também o educador, porque quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.

CONCLUSÀO

Devido a ideologia fatalística, imobilizante, que insiste em convencer-nos de que nada podemos contra a realidade atual, no qual citam frases como "a realidade é assim mesmo, o que podemos fazer?” ou “o desemprego no mundo é uma fatalidade do fim do século” de que expressam bem o fatalismo desta ideologia e sua indiscutível vontade imobilizadora é que Paulo Freire em sua obra nos mostra que não é bem assim e que podemos e temos o dever de lutar por um mundo melhor. O que é preciso mesmo, é o treino técnico indispensável à adaptação do educando a sua sobrevivência.

Portanto, para que isso aconteça é indispensável os conteúdos em PEDAGOGIA DA AUTONOMIA. Conteúdos estes que indo além dos já solidificados pela prática escolar, o educador progressista, principalmente, não pode colocar de lado para o exercício da prática docente, com o objetivo de que mais do que nunca, possa promover e instaurar a “ética universal do ser humano”.
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